Diferencial na vida e na profissão: a curiosidade

Traço pessoal, a curiosidade – como já comprovado pela ciência – pode trazer uma série de vantagens

Quando crianças, somos todos naturalmente curiosos. Queremos saber como as coisas funcionam, o que são elas, e mais uma série de porquês. Há até aquela idade – muitas vezes uma tortura para os pais – na qual a principal pergunta dos filhos é ‘por que?’. E haja explicações, sem falar nas saias justas quando as respostas não são tão simples assim.

Depois, na escola, na sociedade, e com o tempo, vamos deixando de questionar os porquês. Perdemos nossa curiosidade nata, como que nos conformando com o que parece óbvio – mas que talvez nem o seja.  Pode ser um certo conformismo com o que se convenciona como resposta padrão para “aquele” porquê.  E assim vamos seguindo.

CIÊNCIA – Mas será que este é mesmo o melhor caminho? Pesquisas científicas mostraram que a curiosidade pode trazer uma série de vantagens: fortalecer a inteligência, aumentar a energia mental e até física, além de impulsionar melhor engajamento e desempenho. O estudo, conduzido por quatro especialistas em psicologia e educação foi publicado na revista Harvard Business Review. E apontou ainda cinco estilos de curiosidade.

Há entre os curiosos, aqueles que reconhecem uma lacuna de conhecimento e buscam incansavelmente preenche-la. Este é o tipo sensível à privação. Há outros que tem alegria em explorar impulsionados pelos aspectos fascinantes do mundo. Um terceiro tipo gosta de falar, ouvir e observar outras pessoas para aprender. É a chamada curiosidade social. Outros ainda tem uma tolerância ao estresse e aproveitam a ansiedade associada à novidade. Ficam buscando completar lacunas neste novo conhecimento. E o quinto e último tipo contempla pessoas que assumem riscos físicos, sociais e financeiros para adquirir experiências variadas e intensas. A curiosidade da procura pela emoção.

CINCO DIMENSÕES – Os estudos dos cientistas procuraram descobrir qual das cinco dimensões era a que trazia mais resultados ao curioso. E chegaram à conclusão de que cada uma traz um tipo de benefício.

A pergunta que fica é: mas e sem curiosidade o que acontece? Perde-se muito na resolução de conflitos, na inovação, e – creio eu – na capacidade de adaptação. Porque faço esta correlação? Estamos num momento de pandemia. Milhares de empresas fechando. Milhares de pessoas vendo seus empregos e mesmo profissões desaparecem. E todos precisando  descobrir coisas novas seja para reagir, para fazer algo novo na nova realidade, seja para sobreviver ao chamado novo normal. Se é que antes era mesmo normal!

Criatividade é a palavra do momento. E os curiosos que transitam pelas diferentes dimensões da curiosidade são naturalmente mais criativos. Por que? Porque enxergam possibilidades diante do caos.

GOOGLE – O Google Trends é um mecanismo do Google que analisa tendências. E uma das análises é feita justamente sobre as pesquisas feitas no super Google, que nos mostra tudo sobre tudo.

E o que se vê – e é animador –  é que aumentou o nível de curiosidade das pessoas. Mas o que se vê   – e também pode ser desanimador – é em relação a que. Ponto para quem pesquisou sobre “Como ajudar?” ou “Como doar? , o que mostra curiosidade em relação ao próximo.  Ponto também para quem foi buscar os “Como fazer? – chocolates, pães, pizzas, bolos, máscaras caseiras”, provavelmente num misto entre encontrar uma nova oportunidade diante da crise ou passar o tempo com qualidade. Mas alguém me explica as pesquisas sobre o BBB? Não julgo, mas observo, como curiosa que sou. Com tantos assuntos e tantas possibilidade para crescimento pessoal  e profissional, como você tem escolhido para onde direcionar sua curiosidade?

Pois bem, é hora de reativar este traço tão importante de quando éramos crianças. Curiosidade para viver melhor, para ser um melhor profissional, para conviver com nossos pares próximos ou distantes.

Curiosa, busquei no Google frases sobre curiosidade. Acredito que estas sirvam para ilustrar bem este artigo:

“Só se é curioso na proporção de quanto se é instruído”, Jean Jacques Rosseau.

“Não tenho nenhum talento especial, só tenho paixão em minha curiosidade”,  Albert Einstein