Emocionar – eis o segredo para um bom treinamento, aula ou qualquer outra forma de aprendizagem

Por Vivian de Albuquerque

Imagine a cena… numa sala, com um powerpoint repleto de informações, quem está “ensinando” lê o conteúdo e, de vez em quando pergunta – “alguma dúvida?”. Ninguém se pronuncia, e a leitura continua com a mesma voz sem entonação ou emoção. Afinal, tudo o que o aluno precisa saber está escrito ali… basta prestar atenção.

Que levante a mão agora quem nunca passou por uma sala como esta. Uma contradição ao que se vem estudando cada vez mais sobre aprendizado, que – diga-se de passagem – é bem diferente de ensino.

A palavra que vem à tona é emoção. Estudos indicam que, sem emoção não há aprendizado. Ainda em 2010, uma equipe de pesquisadores do MIT – Instituto de Tecnologia de Massachusetts, Boston, colocou um sensor eletrotérmico no pulso de um estudante de 19 anos. A ideia era medir a atividade elétrica em seu cérebro, por sete dias, durante 24 horas. O que se viu? Que o cérebro do aluno – quando assistia a uma “aula palestrada” não era nada diferente de quando assistia televisão; ou seja, praticamente nula. E foi justamente aí que surgiu a corrente da neurodidática.

Segundo ela, o cérebro precisa de emocionar para aprender. As investigações científicas mostraram que para a aquisição de novas informações, o cérebro tende a processá-las pelo hemisfério direito – relacionado à intuição, criatividade e imagens.

Ok… então quer dizer que só falar não funciona? Bem por aí. É preciso gestos, apoio visual, mas ainda mais a participação do aluno e de preferência interagindo em grupos. O cérebro é um órgão que gosta de aprender trabalhando em conjunto com outras pessoas. Ele se modela por bons – e infelizmente também maus – exemplos, se reafirma na congruência e se expande.

Nesse caminho – da neurodidática – primeiro vem a emoção – seja ela decorrente de uma alegria, um incômodo ou uma frustração, depois a atenção e, por fim, a gravação na memória de longo prazo. Ou seja, é preciso que haja o gatilho da emoção.

Ok… mas o que gera emoção – pensando tanto em crianças, quanto nos adultos – numa aula de matemática ou num treinamento sobre processos? Uma forma bem diferenciada de apresentar o conteúdo. Por isso coisas como o CAV – Ciclo de Aprendizagem Vivencial; jogos, dinâmicas, metodologias ativas e agora aplicativos ganham cada vez mais espaço, seja nas salas presenciais, seja nas virtuais.

E por que este ainda não é o modelo de ensino atual? Porque demanda uma aceitação tanto de professores, treinadores e facilitadores, quanto dos próprios alunos ou participantes. É preciso sair da zona de conforto. Os primeiros para pensar em formas cada vez mais criativas de emocionar os segundos e não mais se prenderem a aulas que “já tem prontas”. E os segundos, aprendendo a serem protagonistas de sua própria aprendizagem, buscando informações, resolvendo problemas reais, realizando pré-works e enxergando os primeiros apenas como facilitadores ou mediadores do processo. É um caminho longo… mas possível. Tomara que seja breve!