Gamificação – Como aplicar na sua empresa e obter melhores resultados em seus treinamentos

Gamificação – Como aplicar na sua empresa e obter melhores resultados em seus treinamentos

Texto: Vivian de Albuquerque

Aprender pode e deve ser divertido. Quando o é, o que é aprendido é guardado na memória de longo prazo e pode ser resgatado sempre que o profissional precisa pensar em novas soluções para um problema.

A gamificação não é necessariamente algo novo. Mas tem sido resgatada com êxito em substituição aos estanques power points ou ao ensino no qual um professor/treinador  fala e os alunos/participantes escutam.

Isso porque, lidando com diferentes perfis e gerações em sala – ou mesmo fora dela, num outdoor training por exemplo – não há mais como tratar todos da mesma forma. Há nas turmas cinestésicos, auditivos e visuais, que precisam de estímulos para gerar insights e com eles aprender.

E é isso que possibilitam os jogos. Que cada um, dentro do seu modo de compreender as coisas e se comportar, possa participar. Nos jogos, aparecem os líderes, aparecem os planejadores, assim como os criativos, os organizadores, os críticos, e assim o time vai se revelando. O termo é bem este, se revelando. Comportamentos positivos e não positivos que podem ser trabalhados a partir dos jogos e da devolutiva que se faz deles.

Ao invés de se reunirem em uma sala fechada, colaboradores ou diretores, qualquer equipe da empresa, se reúnem em lugares inusitados. Pode ser uma área aberta de um sítio, um espaço amplo em um hotel ou clube, a mata fechada ou ainda salas das quais precisam escapar.

Na área aberta de um sítio participam de atividades que simulam as provas do exército. Um jogo ou atividade física apenas? Não. Um treinamento focado, por exemplo, em estratégias de negociação. No espaço do hotel, usam o Lego – isso mesmo, aquelas peças tão antigas. Para brincar? Não. Para criar o cenário de uma empresa, uma visão comum, com o Lego Serious Play. Na mata fechada, batalham com o paintball. Com qual objetivo? Disputar clientes representados por bandeiras colocadas em pontos estratégicos. E das salas das quais precisam escapar – em times, geralmente – revelam aspectos de personalidade para liderança,  estratégia, foco; ou seja, tudo aquilo que se busca em uma equipe de trabalho para obter resultados na empresa.

 

Provas e aplicativos

Recentemente, a Kreativ Factory realizou um treinamento para 100 engenheiros atuantes no comercial de uma grande empresa de materiais elétricos. Nas provas externas foi trabalhado o conceito de time e a importância do trabalho em conjunto para a obtenção de resultados. Mas algo que também fez sucesso, além das provas outdoor foi o uso de um aplicativo de celular para testes de conhecimento.  A espera pelas perguntas de cada palestra gerou engajamento e foco no conteúdo apresentado, superando a expectativa do cliente.

 

Neurocientificamente comprovado

A própria neurociência explica a efetividade dos jogos para os treinamentos. Como jogos trabalham com o princípio da “mão na massa”, ou seja, com o aprender fazendo, ativam áreas do cérebro responsáveis pela criação de novas conexões. O que as mãos tem a ver com isso? Basta nos recordarmos da nossa própria história. Do macaco evoluímos para o homem das cavernas. Quando este começou a andar sobre as duas pernas e ficar com as mãos livres, passou a usá-las de forma mais inteligente que seus primórdios. Enquanto os primeiros batiam pedras para quebrar nozes, os homens faziam ferramentas e com elas, começavam a mudar o mundo.

Alguns estudo mostram as áreas do cérebro responsáveis por essa ativação com as mãos. Elas aparecem muito maiores desde quando evoluímos. Assim, quando fazemos uma jangada para atravessar um pequeno lago, usamos o airsoft para atingir uma balão e responder a uma pergunta, ou construímos nossa visão da empresa a partir de peças de Lego, estamos usando as mãos e aprendendo. Um aprendizado muito mais eficaz do que simplesmente ler ou ouvir. A retenção é maior e, com ela, também os resultados.