Novos termos… para o que sempre foi importante

Por Vivian de Albuquerque

Área de desenvolvimento pessoal e profissional traz novos termos para falar de coisas que sempre foram importantes para a vida e para a carreira

Como jornalista que sou por formação, treinadora e facilitadora por paixão, estou sempre lendo matérias, artigos e livros sobre desenvolvimento pessoal e profissional. Mas ultimamente algo tem me chamado a atenção. A quantidade e variedade de “novos termos” que surgem para falar mais do mesmo.

Não que não sejam importantes – o reforço é sempre bem-vindo – mas quando nos aprofundamos no texto, podemos ver que falam de algo que sempre esteve ali – na lista de recrutadores, pessoas que buscam autodesenvolvimento, e por aí vai.

Novos nomes, em inglês principalmente, falando – aparentemente – sobre novas habilidades e competências. Assim, depois de hard e soft skills, lifelong learning, agility, o último que vi foi “reskilling”.

Traduzido livremente, significa requalificação. Refere-se nos textos e artigos a adquirir novas habilidades e adaptar as já existentes às inovações do mercado e – agora mais do que nunca – da tecnologia.

Surge como o termo do momento por conta dos cargos e profissões que deixarão de existir em virtude da inteligência artificial. O profissional terá de ser criativo, resiliente, inteligente emocionalmente, focado em soluções e não em problemas…

E é daí que vem a minha pergunta? E quando é que não foi assim?

Está certo que vivemos ainda numa educação dos tempos da revolução industrial, onde o que interessava era formar mão-de-obra. Mas mesmo as instituições de ensino superior já começaram a trabalhar no desenvolvimento destas “novas” habilidades.

O fato é que, desde que o homem começou a existir ele sempre precisou buscar aprender e reaprender sempre. Ou seja, o reskilling faz parte de nossa existência. Se o ambiente de trabalho não permite, a vida exige. Você precisa ter inteligência emocional se quiser conviver bem. Você precisa ser criativo para resolver problemas. O mesmo se diz sobre focar na solução e não no problema.

Mas isso leva a uma pergunta ainda mais importante: por que, a esta altura do campeonato, ainda precisamos criar termos novos para o que sempre nos foi demandado? Será que nos perdemos no caminho? Será que nos deixamos apagar? Vale a reflexão. E uma reflexão pessoal. O que temos feito com as nossas então “hard” e “soft skills”?

Um dos textos traz dicas de como praticar o reskilling. Fala em manter-se atualizado, fazer cursos e aprender coisas novas, participar de palestras e eventos, desenvolver o comportamento, treinar, reinventar-se.

E quando foi que não tivemos que fazer isso? Se nos esquecemos ou não estamos dando valor, quero mais é que novos termos apareçam e virem títulos em artigos para funcionarem como um alerta. O problema é se estivermos simplesmente esperando e checando listas de dicas, achando que elas sozinhas farão a diferença.

Gosto sempre de pensar que mudança de comportamento é uma porta que se abre de dentro para fora. Os termos e os textos podem servir como um bom estímulo, mas é preciso querer mudar para que a coisa realmente aconteça. Então, uma última pergunta seria: como anda a sua disposição para a mudança e qual o melhor termo – de preferência em inglês – para isso?