Quando o “bicho papão do FOMO” te alcança

Por Vivian de Albuquerque

Nas mídias sociais, os convites são diversos: curso gratuito, palestra, interação… E mais, aquela nova ferramenta que você precisa conhecer, aquele novo grupo para o qual você precisa entrar… E o fato é que o que surge, muito mais que uma motivação em tempos de pandemia, é um enorme cansaço. Uma vontade imensa de desconectar de toda essa vida virtual e buscar conexões reais.

Vale caminhar na rua, ler um livro de um tema nem um pouco ligado ao seu dia a dia, cozinhar algo que nunca experimentou antes… e viver. Sim! Viver.  Se antes da pandemia já éramos facilmente “abduzidos” para as telas dos computadores e celulares, agora isso parece ter se intensificado de forma exponencial. É quase impossível desligar o telefone, é impensável ficar sem conexão de internet, e – claro – é preciso estar sempre atualizado.

Mas e o nosso emocional, como fica? Confesso que, nas últimas semanas – com o anúncio de um novo lockdown, minha energia parece ter despencado. E sim, havia mais uma reunião, mais um curso, mais uma tecnologia que eu precisava conhecer…

E será que é só comigo que isso acontece? Claro que não. Nunca o termo FOMO fez tanto sentido. A sigla em inglês para “Fear Of Missing Out”  poderia facilmente identificar um novo vírus que vem tomando conta da humanidade. O tal do medo de estar perdendo algo – de que alguém esteja tendo uma experiência que a gente não tem – nos faz ultrapassar os limites e chegar à exaustão.

Tudo precisa ser compartilhado, todos os acessos às reuniões do Zoom precisam estar disponíveis, tudo precisa estar gravado para se um dia você quiser assistir novamente… e assim surge o vício, a dependência, e a depressão.

Você perde aquela live e a sensação que tem é realmente de perda. Você vê amigos fazendo exercícios e sente culpa por não estar fazendo. Cada escolha representa um número infindável de renúncias. E em vez de agir, a sensação é de paralisia.

Lendo sobre o FOMO, um dia – porque afinal eu tinha que saber o que era isso também – vi que os estudos conduzidos por Dan Herman, que cunhou a sigla, dizem que este medo é resultado de processos cognitivos e emocionais de avaliação; até o esgotamento de oportunidades.  Primeiro vem uma fase de muitas escolhas e possibilidades diferentes. Depois a avaliação e a escolha pensando no que é importante para a sociedade, a família, os amigos, os outros… E tudo termina – ou será que é aí que começa? – com a imaginação dos resultados e consequências não só da opção escolhida, mas também da NÃO escolhida.

E é nas redes sociais que isso é ampliado. Por mais que você estude, se atualize, participe disso ou daquilo, sempre terá a sensação de que tem gente fazendo bem mais que você.

A dica dos especialistas? Viva o momento! Curta o caminho que está percorrendo, e não fique olhando para os desvios e pensando onde irão levar. O foco deve estar no que você está vivendo… e não no que está perdendo. E quando as mãos ficarem trêmulas – levadas pelo FOMO – e você rolar a tela para dar aquela espiada no que fulano ou beltrano estão fazendo; e você não… lembre-se de que a vida nas mídias sociais nem sempre é tudo aquilo que parece. Seja feliz, mesmo que longe da internet, e fuja do bicho papão.